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Pés na Terra, Cabeça na lua

Para ler e sentir.

Pés na Terra, Cabeça na lua

Para ler e sentir.

SILÊNCIO

(não se vai cantar o Fado)

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Haverá tal patologia chamada de "falta de silêncio"? 

É que se houver, acho que sofro dela.

Descobri que o Silêncio é o melhor amigo que nem sabia que tinha. Durante muitos anos, a nossa relação não era a melhor (para não dizer péssima!). Eu evitava-o constantemente, e quando via que ele se estava a aproximar fazia por afastá-lo. Tudo porque ao crescer como filha única, convivi bastante com ele. Brincámos às escondidas, ao quarto escuro, à apanhada, e ele ganhava sempre. 

À medida que fui crescendo, e entrei na tão "caótica" adolescência, aprendi que era possível evitá-lo. E pronto, tanto o fiz que se tornou um hábito. Os anos foram passando e eu tirei partido dessa benesse (pensava eu). Estar sempre rodeada de pessoas e nunca estar sozinha, ver tv, ouvir música, frequentar sítios barulhentos, enfim, podia continuar a enumerar. A questão foi que no meio disto tudo, gastei também as fichas do barulho. Em tantos anos a conviver com barulho, este tornou-se ensurdecedor. Quase como se me estivessem a gritar aos ouvidos constantemente.

A máquina fez reset. Tal como as cobras, símbolo máximo da renovação, perdi a pele antiga e cresceu-me uma nova pele. Esta nova pele veio com um requisito, uma necessidade, o que lhe queiramos chamar. Para funcionar bem, o silêncio é necessário. 

Cada vez mais aprecio este querido silêncio. A ausência de ruído "desnecessário". É de uma paz incrível. Na cidade é difícil encontrar esta ausência de ruído. Há carros, ambulâncias, pessoas, toda uma azáfama e um chinfrim constantes.

E atenção porque quando falo de silêncio, é muito difícil estar completamente em silêncio, porque haverá sempre qualquer ruído. Mas por isso acrescento o "desnecessário". Porque o som dos pássaros, do vento, da chuva - tudo o que pertence à chamada Natureza - para mim é silêncio. É um ruído calmante, relaxante, que não perturba a minha paz.

E porque é que isto acontece? Porque é que sinto necessidade deste silêncio exterior? Talvez porque a minha mente é ruidosa, sim. Muitas vezes acontecem horas de ponta de pensamentos, há trânsito, há buzinas, há ambulâncias, há gritos e discussões. E nesses momentos sei que devo procurar o meu querido silêncio.

É verdade que ele deve vir de dentro para fora, sim. Mas por vezes, tendo-o cá fora, consigo trazê-lo para dentro.

E não pensem que é assim a toda a hora. Também sei conviver, também sei estar com pessoas e ter prazer nisso. Mas sabe bem depois poder ter esse silêncio para absorver toda a informação recebida e processá-la. Senão fica tudo a marinar nesta minha mente vibrante. 

E é curioso como tudo muda. Há alturas em que a minha mente está pacífica como um bosque, ouve-se o vento a bater nas árvores e o chilrear dos passarinhos. Já noutras parece que tenho Lisboa dentro de mim. É verdade que por vezes me sinto como um carro sem ar condicionado, numa daquelas filas da Costa da Caparica para regressar a Lisboa, num dia de verão, 40ºC a um fim de semana. Tenho tanta coisa cá dentro e não sei como expressá-la. 

É nessa hora que entra o silêncio: eu procuro-o, ele encontra-me, e juntos passamos momentos inesquecíveis. Quando nos despedimos, sei que nos voltaremos a ver em breve, mas trago comigo a certeza da clareza.

 

Love 

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