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Pés na Terra, Cabeça na lua

Para ler e sentir.

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O dia em que a Vénus conheceu Neptuno

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O dia em que Vénus conheceu NeptunoFluiam as águas escuras de escorpião, à saída do pântano governado por Plutão, e lá estava Vénus. Sem saber para onde ir. Buscava purificação.

Naquela escuridão Vénus viu uma luz brilhante vinda de longe. Ela não fazia ideia o que seria, era um mistério, mas era hora de abandonar o já tão confortável e húmido pântano. Vénus começou a seguir a luz. Era uma luz cristalina. Esbranquiçada. À medida que Vénus caminhava na sua direção, esta tornava-se mais forte. Sem saber realmente o caminho, Vénus seguiu os sinais. Até que encontrou um portal triangular, branco perolado, brilhante. Vénus entrou e de repente sentiu-se a ser transportada para o que lhe parecia ser outra dimensão!

Quando os rodopios pararam e Vénus se recompôs novamente, deu por si num lugar novo. Não era o escuro e húmido tão familiar pântano... era um lugar refrescante, com tanta água que parecia não acabar, e areia branca. Tinha uma energia limpa, fresca, quase mágica.

Mal chegou ali Vénus sentiu algo que nunca tinha sentido. Uma paz, uma tranquilidade, uma leveza. Tudo era uma novidade. Foram anos à espera deste momento - na verdade, quase uma vida. E cá estava ela. Vénus foi provar a água, molhando os seus pés de donzela. Era mais fria do que no pântano. No entanto era límpida e cristalina. Conseguia caminhar pelas águas sem se enterrar. E quando a provou, percebeu que era salgada.

"Uau, que lugar!" Pensou Vénus em voz alta.

À distância, vindo dos mares, começa a surgir um vulto. Uma figura masculina. Era pojante - grande e musculado. Do pouco que conseguia ver, em termos de silhueta, assemelhava-se a Plutão. Mas à medida que caminhava e se aproximava, notava-se uma calma diferente. Tinha um ar sonhador e leve. Nada a ver com o ar pesado e intenso de Plutão.

Neptuno caminhava, e ao aproximar-se de Vénus dirigiu-se a ela com um sorriso no rosto. "Olá estranha. Senti que alguém ia chegar, e quando te vi brilhar à distância, soube que eras tu. Qual é o teu nome?"Vénus ficou sem jeito. Estava habituada à má disposição e ao peso de Plutão e ao ver este ser tão belo, leve e sorridente, Vénus ficou sem saber como reagir. Apenas disse "sou a Vénus. E tu?" "Eu sou Neptuno"Na verdade já tinha ouvido falar sobre Neptuno. Naquelas histórias de amor distantes que se contam durante a infância. Vénus tinha passado a sua vida toda a idealizar com Neptuno. Era um sonho seu conhecê-lo. Encaixava perfeitamente na sua fantasia de amor a dois.Quando Vénus nasceu foi-lhe dito que uma das suas missões era expressar um amor romântico. Um amor a dois. As outras missões consistiam em usufruir da sua beleza e cultivar o seu amor por si, conhecer e definir os seus valores e crenças e aprender a relacionar-se com outros seres fora do pântano de Plutão. E aqui estava o candidato perfeito para a fantasia de Vénus!Depois do entusiasmo inicial, a conversa entre os dois surgiu e fluiu. As horas passaram e a magia não desaparecia. Vénus estava encantada. Neptuno era o seu sonho tornado realidade. Era um sonhador, intuitivo, espiritual, criativo, muito doce e sensível.

Vénus sentia tantas semelhanças entre ambos, e isso inspirava-a ainda mais. Mas havia algo a separá-los. As realidades de ambos eram bem diferentes. Enquanto que Vénus passava muito tempo no pântano em trabalhos internos com o seu mentor Plutão, Neptuno expressava-se por esses mares fora. Ajudava os outros seres marinhos e cuidava deles, cantava para (e com) as sereias, cuidava dos pescadores e de todos aqueles que se aproximavam dos seus mares.

Neptuno tinha uma vida preenchida. Tinha muitos mares para cuidar e muito amor para dar. E o seu amor, era universal. Havia um bocadinho para todos os seres que quisessem beber da sua água.

Para Vénus isto apresentava-se como um problema. Ela admirava imenso e achava que isso o tornava ainda mais mágico e especial, mas destruía as suas ilusões. Já não podiam ser Vénus e Neptuno, o par romântico.

Isto porque Neptuno tinha sido incumbido com o dom do amor incondicional. Um amor infinito que chegava para todos. E não seria justo bloquear o seu fluxo entregando-o a uma só Deusa. Então Neptuno distribuía por todas as Deusas, Deuses, e todos os seres que se aproximassem de si.Ao mesmo tempo que isto a entristecia por saber que não poderia ser o seu par, Vénus admirava e achava belo e inspirador.

Sentiu que tinha vindo até esta praia, até este território Neptuniano para aprender algo. E assim foi. Vénus aceitou a magia desta conexão, a inspiração, o exemplo dado por Neptuno. E trocaram tanto. Vénus aprendeu a vibrar uma oitava acima no amor. Conheceu o amor incondicional de Neptuno, o seu mundo de sonhos e ilusões que também ela reconhecia em si.

Verdade seja dita, quando Vénus regressou ao pântano, vinha purificada. Trazia no seu coração um pouco do amor incondicional de Neptuno, um pouco dos seus sonhos, da sua inspiração, da sua intuição. Até Plutão se admirou!

Já Neptuno, esse ficou nos seus mares e também guardou Vénus no seu coração infinito. Havia um espaço guardado para ela. Apesar de saber que não poderia dar-lhe o que ela queria, ele tinha uma grande admiração por ela. Era uma das suas Deusas preferidas (havia muitas!) e lembrava-se dela sempre que olhava para os céus. Pelo seu ar meio estelar e cósmico, e por saber que ela tinha vindo de uma estrela. Longínqua.

Este encontro marcou os dois Deuses para a eternidade. Sabiam ser irmãos de terras longínquas, e sabiam que estariam para sempre ligados. A presença física lado a lado não era possível porque cada um tinha a sua missão. Mas visitaram-se de tempos a tempos. E nos tempos em que não se visitavam e estavam distantes, sabiam que estavam sempre ligados. Por essa fonte de energia. O amor. Pois embora o expressassem de forma diferente, ambos o tinham bem presente.

 

 

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