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Pés na Terra, Cabeça na lua

Para ler e sentir.

Pés na Terra, Cabeça na lua

Para ler e sentir.

A minha odisseia do espaço.

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Era uma vez,

 

Uma história real. Envolvia espaço, barreiras, limites, imposições, restrições. A definição de Odisseia diz "1.Viagem cheia de aventuras e peripécias. 2. Série de acontecimentos anormais e variados.". Podemos considerar ambos. 

Esta odisseia começou há 28 anos atrás, em Lisboa. Tem sido uma viagem e pêras. De início foi bastante acessível. Todos os precalços foram facilmente ultrapassados, não houve desafios gigantes, e muitas das vezes a resposta foi a mesma. Andar para o lado como o caranguejo. O caminho mais fácil. Não gosta, não come - mas levanta da mesa e sai de fininho, dizendo que não tem fome e agradecendo a refeição. Ao invés de dizer "olha, não gosto, não quero comer isso". Podemos chamar-lhe respeito/educação/prudência/falta de firmeza/passividade. I don't know. É um não tanto ao mar nem tanto à terra. É uma máxima que pode ser útil por vezes mas que não deve ser levada tão a sério. Sim respeitar o outro, mas não te desrespeites a ti. Porque em coisas pequenas está tudo bem, e não tem mal ser "agradável" para não ferir susceptibilidades. Mas nas grandes coisas da vida deixa de ser certo. Nesta odisseia, o espaço é algo que tem sido aprendido e apreendido. 

Tudo começou com todo o espaço do mundo. O espaço era infinito, e era aceite, não havia necessidade de o demarcar porque cada um sabia o seu. Ao mesmo tempo, foi adiada a lição da sua partilha. Essa tinha um ponto de interrogação. Quando chegou o momento, houve um confronto. O espaço foi totalmente apreendido. Tal qual como nos ecossistemas, a espécie dominante apoderou-se do mesmo, enquanto que a espécie-chave por ter uma influência mais subtil, mudou-se para outros territórios. Novamente aí o caranguejo andou para o lado, sem mostrar as pinças.

A vida é feita de ciclos, e eles vão e vêm, é uma roda viva, uma roda da vida, um círculo sem fim. As lições voltam a nós de forma contínua até que sejam finalmente apreendidas e aprendidas, e portanto a história repetiu-se uma vez mais.

Nesta segunda volta, o espaço foi partilhado, as espécies estavam em sintonia, até que deixaram de estar. Houve uma reviravolta, e a espécie que outrora fora a espécie-chave tornou-se a espécie dominante. Marcou o seu espaço urinando à volta de todas as árvores, mostrando tratos passivo-agressivos para com a outra espécie. Não soube reclamar o seu espaço de forma diplomática e quebrou as pontes existentes. 

Como não há duas sem três, uma nova volta surgiu. Uma nova volta cheia de reviravoltas e twists, tal e qual como a vida é. "Boy meets girl, they fall in love, move in together, fall apart, break up, the end". Não foi nada disto.

A espécie-chave cedeu o seu espaço a outra espécie-chave e esta segunda espécie tornou-se dominante. Houve um retrocesso, a primeira espécie necessitou de encontrar um meio-termo e este ficou lost in translation. Uma lição foi aprendida e apreendida. Uma das definições de Espaço diz: "1.Área que está no intervalo entre limites.". Quando não há limites, a área que está no intervalo entre os mesmos torna-se inexistente. Fica apenas um "2.Lugar vazio que pode ser ocupado.".

Na vida e no dicionário, é importante compreendermos o significado das palavras e conceitos, mais do que saber decorá-los. E realmente isso só acontece mesmo quando os vivemos. Aí, a beleza da vida é abraçada, janelas fecham-se, portas abrem-se e aquilo que outrora vimos como limites, vemos agora como a linha do horizonte. Há sempre mais e mais.

 

The journey of beauty goes on.

 

Di

Observ-a-dor

OBSERV-A-DOR.png

 

O observador, como o próprio nome indica, pode ser visto como aquele que Observa A Dor.

É uma tarefa difícil a do observador. Observar a dor sem se envolver com ela é um trabalho de risco. Porque na verdade, a dor é como aquele ser escultural, que transpira beleza e tem "perigo" escrito na testa. Aquele fruto proibido, que é e sempre será o mais apetecido. Então observá-la à distância sem nos deixarmos levar por ela é um verdadeiro bico-de-obra. Porque verdade seja dita: ela traz algum conforto, traz um sentimento de pertença, é familiar. Muitas vezes a sensação é quase como voltar a casa depois de uma longa jornada fora. A uma casa onde és recebido de braços abertos, com uma bela refeição, caminha e roupa lavada. Só que a refeição está envenenada, a cama tem percevejos e a roupa está comida por traças. Mas no momento é tudo aquilo que mais queremos depois de uma longa viagem a dormir em hostéis ou mesmo até no chão de uma qualquer tenda, a regressar de semanas de campismo selvagem. É reconfortante. E como observá-la sem querer abraçá-la, não é? Uma pessoa chega exausta, se calhar no caminho perdeu a carteira, o pneu do carro furou, eram um casal e decidiram separar-se... E como não abraçar a dor? Como observá-la sem proximidade, quando o que mais queremos é um abraço? E ali jaz ela, toda nua, de braços abertos... A dizer "anda cá, estou aqui para ti". Pois é. É um desafio mesmo. E não pensem que vim aqui dizer-vos para fazer isto ou aquilo. Não vim.

O meu intuito é a reflexão, apenas. Se a ideia fosse abraçarmos a dor, então diziamos "abraçador" em vez de observador não? Porque se calhar, a ideia é mesmo ficarmo-nos pela observação. Como quando vamos a um museu e contemplamos as obras de arte, fazemos os nossos juízos de valor, retiramos algo dali. Mas apenas contemplamos à distância.

E com esta me vou,

 

DI

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