Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Pés na Terra, Cabeça na lua

Para ler e sentir.

Pés na Terra, Cabeça na lua

Para ler e sentir.

SILÊNCIO

(não se vai cantar o Fado)

Adicionar um subtítulo (1).png

 

Haverá tal patologia chamada de "falta de silêncio"? 

É que se houver, acho que sofro dela.

Descobri que o Silêncio é o melhor amigo que nem sabia que tinha. Durante muitos anos, a nossa relação não era a melhor (para não dizer péssima!). Eu evitava-o constantemente, e quando via que ele se estava a aproximar fazia por afastá-lo. Tudo porque ao crescer como filha única, convivi bastante com ele. Brincámos às escondidas, ao quarto escuro, à apanhada, e ele ganhava sempre. 

À medida que fui crescendo, e entrei na tão "caótica" adolescência, aprendi que era possível evitá-lo. E pronto, tanto o fiz que se tornou um hábito. Os anos foram passando e eu tirei partido dessa benesse (pensava eu). Estar sempre rodeada de pessoas e nunca estar sozinha, ver tv, ouvir música, frequentar sítios barulhentos, enfim, podia continuar a enumerar. A questão foi que no meio disto tudo, gastei também as fichas do barulho. Em tantos anos a conviver com barulho, este tornou-se ensurdecedor. Quase como se me estivessem a gritar aos ouvidos constantemente.

A máquina fez reset. Tal como as cobras, símbolo máximo da renovação, perdi a pele antiga e cresceu-me uma nova pele. Esta nova pele veio com um requisito, uma necessidade, o que lhe queiramos chamar. Para funcionar bem, o silêncio é necessário. 

Cada vez mais aprecio este querido silêncio. A ausência de ruído "desnecessário". É de uma paz incrível. Na cidade é difícil encontrar esta ausência de ruído. Há carros, ambulâncias, pessoas, toda uma azáfama e um chinfrim constantes.

E atenção porque quando falo de silêncio, é muito difícil estar completamente em silêncio, porque haverá sempre qualquer ruído. Mas por isso acrescento o "desnecessário". Porque o som dos pássaros, do vento, da chuva - tudo o que pertence à chamada Natureza - para mim é silêncio. É um ruído calmante, relaxante, que não perturba a minha paz.

E porque é que isto acontece? Porque é que sinto necessidade deste silêncio exterior? Talvez porque a minha mente é ruidosa, sim. Muitas vezes acontecem horas de ponta de pensamentos, há trânsito, há buzinas, há ambulâncias, há gritos e discussões. E nesses momentos sei que devo procurar o meu querido silêncio.

É verdade que ele deve vir de dentro para fora, sim. Mas por vezes, tendo-o cá fora, consigo trazê-lo para dentro.

E não pensem que é assim a toda a hora. Também sei conviver, também sei estar com pessoas e ter prazer nisso. Mas sabe bem depois poder ter esse silêncio para absorver toda a informação recebida e processá-la. Senão fica tudo a marinar nesta minha mente vibrante. 

E é curioso como tudo muda. Há alturas em que a minha mente está pacífica como um bosque, ouve-se o vento a bater nas árvores e o chilrear dos passarinhos. Já noutras parece que tenho Lisboa dentro de mim. É verdade que por vezes me sinto como um carro sem ar condicionado, numa daquelas filas da Costa da Caparica para regressar a Lisboa, num dia de verão, 40ºC a um fim de semana. Tenho tanta coisa cá dentro e não sei como expressá-la. 

É nessa hora que entra o silêncio: eu procuro-o, ele encontra-me, e juntos passamos momentos inesquecíveis. Quando nos despedimos, sei que nos voltaremos a ver em breve, mas trago comigo a certeza da clareza.

 

Love 

Di

Vulnerabilizo-me.

Design sem nome.png

Vulnerabilizo-me.

Dispo-me sem tirar a roupa física.

Tiro as minhas roupas mentais e fico nua. Eu e as minhas emoções. E o que elas me dizem. Ganho consciência. Sentimentos ocultos, escondidos debaixo de tapetes. Sentimentos que um dia estiveram em cima da mesa mas o tempo não era certo. Foram postos de parte, esquecidos, arrumados. Na verdade nunca os deitei fora. Apenas os exclui momentaneamente.

Como um vestido comprado para uma ocasião especial. Só que essa ocasião acaba por nunca chegar, e o vestido lá está, intacto no roupeiro à espera do momento certo. Até que um dia, olho para ele e apercebo-me do quanto ele me fica bem, e que estupidez que é tê-lo guardado quando poderia usá-lo e sentir-me bem. E nesse momento, esqueço-me dessa ideia da "ocasião especial" e visto-o para as saídas mais banais. Se calhar o momento certo não existe. Ou se calhar o momento certo é esse momento em que ganhamos consciência das coisas, e não ganhámos antes porque não era o momento certo. 

Aqui esse vestido são esses sentimentos. Os tais sentimentos e realizações, o ganhar consciência dos mesmos e aprender a lidar. Não vale a pena voltar a arrumá-los porque de tempos a tempos revisito-os. E cada vez que olho para eles vejo algo diferente. Vão ganhando definição, perdendo a abstração, porque eu acabo por aceitá-los. Aceito que não posso controlar. Fazem parte de algo superior. Do plano divino. Por isso mesmo, andam num vaivém até chegar o dia em que os abraço, aceito e decido lidar com eles. Integrá-los na minha nova realidade. No entanto, aceitá-los e integrá-los implica baixar a guarda, pôr de parte os egos, ter bem presentes a força e a coragem para lidar com este desconhecido, com estes pontos de interrogação e reticências. 

De momento sinto-me na torre. Numa torre em chamas onde já não consigo mais permanecer. Já estive aqui demasiado tempo. Já me sinto intoxicada pelo fumo, e estou prestes a perder os sentidos. Está na hora de saltar. Navegar por mares nunca antes navegados e pisar solos nunca antes pisados. Por outro lado, o conforto do conhecido e não tão agradável mas seguro, "ficar na mesma". Paragem. Indecisão. Dúvida. Questiono-me. Vezes e vezes sem conta. Ponho em causa A, B, C e D. Ganho certezas. Vejo medos. Estou quase a agir. Detenho-me por olhar para o passado. Não faço nada. Arrependo-me da minha inércia.

Dualidades? Sure. Polaridades? Yes. Nunca vais saber se não fizeres. Porquê procurar respostas no exterior, se as respostas estão dentro de nós?

.

.

.

Será que esse dia chegou? 

 

Di*

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Mais visitados

    Arquivo

    1. 2022
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2021
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2020
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2019
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2018
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    Em destaque no SAPO Blogs
    pub