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Pés na Terra, Cabeça na lua

Para ler e sentir.

Pés na Terra, Cabeça na lua

Para ler e sentir.

Paciência...

Alguém um dia me disse que a escrita tinha de ser feita com o coração e não com a mente. Pois bem, tinha razão. Às vezes não é fácil. Os nossos pensamentos estão, por assim dizer, muito mais à mão do que os nossos sentimentos. Sempre achei que sentia muito, mas numa viagem às profundezas do meu ser, descobri que não era bem assim. Afinal pensava era muito sobre sentimentos. Irónico, não? Uma pessoa que acha que sente, mas afinal não sente, apenas pensa sobre sentimentos e acaba a senti-los empaticamente. Parece digno de um filme. Por acaso esta noite sonhei com o David Lynch. Ou melhor... não me consigo lembrar da sua cara, nem das circunstâncias, mas lembro-me do seu nome associado ao meu sonho, e de termos conversado. Foi interessante. Estava a sonhar que estava a sonhar mas pelos vistos o meu sonho estava a ser filmado.

Bem, mas voltando à história dos sentimentos e pensamentos. Seria de esperar que conseguíssemos separar quando pensar e quando sentir. E fazê-lo em alturas distintas. Não meter tudo na liquidificadora e no final tomar um "delicioso" batido de pensamentos e sentimentos tudo misturado. Uma bela "mixórdia". Para conseguir atingir esse fim, o meio ideal será a paciência. Essa palavra que anda por toda a parte... que muitas vezes tentamos apagar com corretor, com borracha, e tudo o que temos à mão, para que passe despercebida, mas no final ela está sempre lá. Ao estilo de "podes fugir, mas não te podes esconder". Por mais que se tente menosprezar a paciência, no final, ela virá sempre à tona. A Paciência é casada com o Tempo. Não há um sem o outro. No entanto, os sinais são sempre evidentes. Quando a paciência é colocada no cesto do lixo, ou guardada dentro de mil caixinhas para não incomodar, os resultados são trágicos. Mas claro está, essas respostas e "dicas" de como viver em paz, estão sempre espelhadas na nossa querida natureza. Não podemos obrigar uma semente a germinar ao ritmo que queremos. Ela simplesmente ignora e pede-nos paciência. Não podemos acelerar o tempo, e passar de segunda imediatamente para sábado... Ele pede-nos paciência. Não podemos mandar o COVID para aquele sítio começado por C e fazer a nossa vida normal, precisamos de paciência. Ela está sempre aí, a malandra. Mas é uma malandra boa, quando a ouvimos e respeitamos, tudo flui, floresce e nasce. Ou renasce. Aqui o "point" é que realmente, por muito que fosse o desejo de ter o total controle sobre as nossas vidas, sobre o mundo ou sobre o que seja, precisamos de paciência.

Voltando ao tópico inicial, também é esta a resposta. O pensar sobre sentimentos e achar que os sentimos, é um reflexo de falta de paciência. Há que respirar fundo. Uma, duas, três, dez vezes. Muitas vezes é só a pressa ou o desejo de sentir tais emoções/sentimentos, que nos põe nessa corrida emocional. Outras vezes a empatia. É estranho. Mas nesses momentos, é preciso ter paciência.

Dicas: em primeiro lugar, respirar fundo. De seguida, contemplar o assunto de forma racional e idealmente com alguma distância. Caso seja possível cumprir este segundo passo, chegámos à resposta. A questão era da mente racional, e não emocional. Pensamento sobre sentimento, ao invés de sentimento.

 

Está trovoada como eu gosto, e dá-me para falar sobre estas coisas.

 

#LittleMissSunset

IMG_20200107_120037.jpg

*Saudades do gato do meu vizinho, que era quase como meu, e do meu terraço. Há que ter Paciência.

 

 

Yin-Yangs da Vida

Faz tempo que já não escrevia nada aqui. Não quer isso dizer que não fosse escrevendo em papel. Há certas coisas que na minha opinião devem manter-se, mesmo que o avanço tecnológico nos dê outras alternativas. Para mim, escrever em papel utilizando caneta é uma delas. Podem dizer o que quiserem dos livros virtuais, mas não há nada como um livro físico. O seu cheiro, o toque das suas páginas tornam-no especial. Este pensamento, sem eu ter planeado, leva-me à situação do momento. Uma pequena analogia. 

Vivemos tempos de pandemia e consequente quarentena, algo nunca antes visto pelas gerações de pessoas que habitam este planeta. Muitos dos que cá andam já viveram pandemias mas nenhuns tiveram de passar por esta quarentena. Claro que muitos já experienciaram a sensação de quarentena, fosse por estarem a recuperar de uma cirurgia, de um osso partido, ou de qualquer outra patologia que os impedisse de realizar a sua vida normal. Mas não desta forma.

Falamos de milhões de pessoas por esse mundo fora, fechadas nas suas casas, muitos sem qualquer contacto exterior, e sem contactar com os seus amigos ou entes queridos. Não são tempos fáceis. Muito menos para quem está na frente do combate, claro está.

Os céticos e os negativistas, dizem que não é possível ver um lado positivo nisto. E talvez não seja, pois nenhuma doença que atinge os países com estas proporções, criando cenários apocalípticos o é.

No entanto, como em todas as coisas, existem sempre dois lados. O Yin-Yang da coisa. O Yin-Yang, para quem não sabe, é um princípio que explora a dualidade. O paradoxo. A lua e o sol. Conceitos opostos, pólos, que se completam.

Sim, é possível numa situação haver o lado mau e o lado bom. Há sempre. Nesta, talvez seja difícil de encontrar. Mais para uns do que para outros, claro. Por outro lado, na minha análise pessoal, consegui encontrar alguns aspectos positivos. Seja a aquisição de tempo, a "lufada" de ar fresco que estamos a dar à natureza, ou mesmo a oportunidade para pessoas - famílias - se conhecerem e passarem tempo juntas. Ou até a descoberta de novos talentos. O Yin-Yang é isso mesmo. Há o preto e o branco, que representam o negativo e o positivo, a mulher e o homem, a passividade e a atividade. Mas dentro do preto, existe uma bolinha branca, e dentro do branco existe uma bolinha preta. Isso mostra-nos várias coisas, uma delas é que não existem um sem o outro, nem no plano geral, nem no plano detalhado. Nada é perfeito, nada vai ter só um lado. É a cara ou coroa da vida.

Voltando à analogia de cima. Para mim, um ser que aprecia as coisas boas da vida e o contacto com pessoas, o Yin deste caso seria o livro virtual. Quem gosta mesmo de ler, lê em qualquer circunstância, seja num e-book ou num livro "físico". Mas esses mesmos apreciadores, sabem que nada é melhor do que ter um livro nas suas mãos. Como é que isto se aplica ao momento atual?

Para mim, as relações humanas estão a sofrer um pouco desse síndrome. O contacto físico é o livro de papel, que podemos tocar. Mas neste momento apenas temos e-books e nada mais. Que é como quem diz, temos vídeo-chamadas, audios, chamadas normais. Dá para matar a sede de "leitura" mas não é a mesma coisa que sentir o livro. Mas se realmente gostamos tanto de ler, e dos nossos livros, respeitamos o não poder ir à livraria ou à biblioteca e esperamos. Nos entretantos aproveitamos para matar essa sede de leitura, com os tais "e-books". Ou contactos virtuais. Esta seria então a "passividade" da coisa, algo que temos de aceitar.

Então e o Yang? Bom, o Yang por si só é a atividade, é o sol, é a vida, o calor. E tantos outros que não sairia daqui. Qual é o Yang desta situação? Na minha óptica (e cada um tem a sua), o Yang de tudo isto é o tempo que temos, a possibilidade de aprendermos novas atividades, criar novos hábitos, de desenvolver relações já existentes, de dar asas à nossa criatividade, entre outras coisas.

Claro que isto pode ser tudo uma questão de ópticas. Se alguém decidir só ver um lado, só vê esse lado e acabou. É tudo uma questão de perspetivas. Mas o que é que na vida não o é? Dizem que a vida somos nós que a fazemos, e é verdade. Começa tudo na forma como olhamos para as coisas, onde lançamos o nosso foco. 

Para muitos isto serão apenas "balelas", mas para mim são verdades absolutas. Há sempre dois lados, duas formas de ver, nada é perfeito e portanto temos de conviver com isso. O truque aqui é encontrar o equilíbrio entre uma e outra. Tanto o sol como a lua, cada um tem a sua função. E vivem em perfeita harmonia um com o outro.

O meu conselho para os tempos que correm, é que tentem encontrar o vosso Yang dentro deste Yin. Em português pode ser traduzido como: tirar o melhor partido da situação. 

Someone once told me that balance is the key. Eu sou balança, por isso esta frase faz imenso sentido para mim. Encontrar o equilíbrio no meio de forças opostas.

E como o Bob Marley dizia "Don't worry, about a thing. 'Cause every little thing is gonna be alright..." :)

Little Miss Sunset

IMG_20200107_163229.jpg

*fotografia tirada em Lisboa há meses, quando ainda estava por lá. Saudades de te ver, Lisboa.

 

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