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Pés na Terra, Cabeça na lua

Para ler e sentir.

Pés na Terra, Cabeça na lua

Para ler e sentir.

Tempestade

CIMG4943.JPG

 

 Oiço a chuva bater intensamente na minha janela. Dizem que esta tempestade é forte. Consigo sentir a sua força, da união entre a chuva e o vento, que tão bem sabem ser aliados nestas ocasiões.

E agora a Ironia das ironias, que é um post chamado tempestade e uma fotografia de um dia de sol numa praia paradisíaca!

Mas não se iludam: até nesse mesmo paraíso, choveu horas depois dessa fotografia ter sido tirada. 

Neste momento, algures no mundo alguém estará numa praia como essa, a aproveitar toda essa beleza natural enquanto eu e tantos outros estaremos a ouvir a chuva a cair, ou a apanhar a molha das nossas vidas.

E noutro dia seremos nós (talvez não naquela praia) e por aí em diante, todo um ciclo e um círculo.

Felizmente a tempestade também não fica para sempre. A sua vinda é inevitável mas a sua partida é sempre certa. E faz parte, pois quando o sol voltar a brilhar olharemos para ele como se tivesse chovido durante uma eternidade e vamos aproveitar o seu calor melhor que da última vez - como tudo ou quase tudo. E o sol é tão vital e majestoso (não esquecendo generoso!) que até no seu regresso nos oferece um presente visual: o arco-íris. Porque ele pode demorar a regressar, mas quando regressa ninguém fica indiferente.

Tudo isto para relembrar que as tempestades são como certas paixões - batem forte mas passam depressa. Que esta não fuja à regra.

 

O Tempo

"O tempo perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem. O tempo respondeu ao tempo que o tempo tem tanto tempo, quanto tempo o tempo tem."

Tão precioso.

O curador de feridas.

O contador de histórias.

A pergunta.

A resposta.

A mensagem.

Invisível, incontrolável, universal e transversal.

Um verdadeiro paradoxo: quando não queremos que passe ele voa, quando queremos que voe ele demora a passar.

Só para nos relembrar o quão somos pequenos, e que nunca o podemos controlar, pois quando tentamos ele cala-nos e manda-nos apenas "assistir".

Curioso que ele é também.

Mais uma vez, enquanto somos crianças vemos o tempo passar e os anos vão passando devagarinho; aqueles verões de 3 meses de espera pela escola mais pareciam um ano, quando nos afastávamos dos nossos amigos e das nossas "rotinas". Quando crescemos, os anos correm e quando chegam ao final pensamos: "ainda ontem o ano começou!".

Como ele consegue ao mesmo tempo ser engraçado.

Haverá companheiro mais fiel que o tempo? Ele responde a todas as nossas perguntas, e diz-nos apenas as verdades. Não sei se haverá algo mais verdadeiro que o tempo.

Também é muitas vezes considerado injusto, porque ele dá-nos muito, mas ao mesmo tempo também leva. Mas aí ele está apenas a ser um mensageiro, um intermediário, que trabalha para algo muito superior a nós.

O problema é que muitas vezes recusamos a aceitar o ritmo dele e a entendê-lo. Muitas vezes queremos tudo no momento: respostas, desejos, acontecimentos, e queremos que tudo aconteça quando assim o desejamos. O que nos esquecemos é que tudo isso é trazido pelo tempo, e o tempo tem o seu ritmo. E temos que respeitá-lo. Porque sempre que olhamos para trás, tudo o que pedimos ao tempo, o tempo nos deu no tempo certo, e só ele o sabe.

Muitas vezes queremos as coisas no momento porque a nossa cabeça e coração assim o dizem, mas existem várias componentes inerentes a nós que não jogam a nosso favor, como por exemplo a impulsividade e por vezes o desejo de amar ou ser amados.

E é aí que entra o tempo: ele apenas nos dá, não quando queremos, mas quando estamos realmente preparados. Porque só aí conseguimos aproveitar o valor ou tirar a máxima vantagem.

E isto aplica-se às mais diversas situações em nossas vidas. E após toda a frustração egoísta de "não está a ser quando eu quero/como quero" passar, paramos, refletimos e verbalizamos: Obrigada Tempo. 

Passagens - Um capítulo das relações humanas.

A vida muda a cada segundo. O que antes parecia tão certo e seguro já não parece mais.

Os sentimentos vão e vêem. Alguns ficam. Outros não voltam mais. O mesmo se aplica às pessoas.

Tantas pessoas que vão passando por nossa vida... algumas que gostávamos que ficassem só mais um bocadinho... dá tanta pena a sua partida da nossa vida. Muitas vezes assim o é porque tem que ser. Infelizmente não temos espaço no nosso coração para manter todos junto de nós e há muitas pessoas que simplesmente não faz sentido que permaneçam mais na nossa vida. E custa pensar em todos os momentos bons que passámos com elas e em todas as coisas partilhadas, e em todas as vezes que pensámos que estas pessoas eram "a tal", e que iriam ficar e acompanhar-nos na nossa caminhada mas simplesmente não dá, porque é aquela parte em que seguimos caminhos diferentes.

Muitas pessoas apenas aparecem na nossa vida para nos acompanhar numa certa parte do caminho e simplesmente não podem vir connosco porque têm outros caminhos a seguir. Custa sempre aceitar esta permissa.

É um engolir em seco, e um olhar para a frente com uma pequena dor no coração.

Mas a vida é mesmo assim. Iremos todos ser felizes e talvez um dia nos reencontremos e falemos sobre o tempo perdido desde que seguimos caminhos separados. E estaremos todos bem.

 

E porque todas as pesquisas são exaustivas, a mais exaustiva de todas é aquela inconsciente em que buscamos o nosso derradeiro companheiro de caminho....

Mas,

Será que ele existe?

Será que não é apenas fruto de muitas histórias e contos de fadas?

E não será demasiado exaustiva essa busca, se ele simplesmente não existe?

Porque para mim tem sido e continua a ser. Continuo sempre de forma inconsciente a acreditar que o vou conhecer, e que vou saber quando o conhecer, e vou desenvolvendo sentimentos por essas pessoas, e depois vejo que na verdade foi tudo fruto de uma ilusão desmesurada. Uma fome quase cega de dizer que finalmente o encontrei.

E estou tão cega que os confundo todos. E todos me vão parecendo ele. Acreditanto em ilusões que depois sempre se tornam em desilusões. 

E enquanto eu continuar a ver as coisas deste prisma e a recusar-me de ver que não preciso de um companheiro de caminho e que tenho que trilhar sozinha por esses vales e oceanos, irei acabar sempre com o mesmo vazio interior. 

Só eu posso acompanhar-me em todas as minhas buscas, e os outros serão apenas companheiros de viagem temporários, pois apenas posso contar a 100% comigo e só eu sei com todas as certezas que nunca me irei abandonar.

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